"Basta a cada dia o seu mau" - Kleber Silva analisa o sistema habitacional de São Paulo
Incrível é criminalizar Pinheirinho, tratar a população da Luz como fantasmas, moradores de rua, adultos e adolescentes viciados em crack, cortiços e prostituição. Degradação social?
O bairro da Luz é o melhor local para viver, pois é de fácil acesso e comporta ao seu redor grande cenário cultural: Pinacoteca do Estado de São Paulo, Museu da Língua Portuguesa, Sala São Paulo, Museu da Resistência, Parque Jardim da Luz, Museu de Arte Sacra. Tudo isso ligado a nova linha amarela do metro, linha azul, CPTM e SPTrans. Em breve essa mesma região receberá o novo Complexo Cultural – Teatro da Dança e revitalização do entorno. Mas enquanto houver pobre e trombadinha a obra não sai.
A especulação imobiliária no centro de São Paulo, Barueri e Santana de Parnaíba é justificada pela classe dominante, onde uma questão relevante é deixada de lado: a invasão das terras em Alphaville. Condomínios construídos em cima das terras da União, antigas terras indígenas. Empreendimento ilegal.
Descer a borracha na população pobre, historicamente excluída e jogada nas periferias, nasce com a abolição da escravatura. Aboliram, mas livres seguiram sem rumo, sem moradia, trabalho e dignidade. Isso porque de acordo com o IBGE, há 400 mil imóveis vazios no Centro de São Paulo.
Bombas e todo tipo de violência são homologadas pela justiça que determina o despejo de famílias inteiras. Favelas pegam fogo, máquinas da prefeitura passam por cima dos barracos construídos de maneira inapropriada. Enquanto isso na região de Alphaville: “temos um sistema de vigilância, monitoramento e segurança eletrônica, o condomínio está planejado para solucionar qualquer tipo de problema e evitar qualquer ocorrência interna que possa trazer alguma preocupação aos moradores”. A propaganda ainda dizia: “Uma área que possui valores únicos agregados à natureza e ao bem estar”.
Meu problema não é com a população desses burgos, pois já dizia a sagrada escritura (que eu respeito e tento seguir): “Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais”. Efésios 6:12
Alimentamos esse monstro (sistema) que separa os homens, que segrega e que justifica a fala de Hobbes quando dizia que o estado de natureza do homem é violento e que vivemos numa “guerra de todos contra todos”.
Assim continuamos como país em ascensão econômica, com uma cultura defasada, uma educação que sobrevive apenas com 4,7% do PIB. Mas temos coisas mais importantes, como a COPA. Estádios como a Arena Pantanal é uma grande ideia, o juiz apita e os jacarés batem uma “pelada” com as antas.
É isso Brasil, vamos louvar a pouca vergonha, a indecência moral capitalista usurpadora e a deusa do trânsito de todas as vias, avenidas e ruas alagadas.
Contemplar a falta de sanidade, onde o quiproquó é venerado e as pessoas viram coisas e as coisas tomam caráter humano, como se o consumo fosse o nosso pão de cada dia.
Aproveitem “Carro com IPI reduzido” assim poderemos preencher alguma rua ainda não desbravada pela ganância das cruzadas automobilísticas.
Sem mais nem menos, sem eira nem beira, sou mais um sobrevivente.
Kleber Silva
Sociólogo e morador em São Paulo/SP
O bairro da Luz é o melhor local para viver, pois é de fácil acesso e comporta ao seu redor grande cenário cultural: Pinacoteca do Estado de São Paulo, Museu da Língua Portuguesa, Sala São Paulo, Museu da Resistência, Parque Jardim da Luz, Museu de Arte Sacra. Tudo isso ligado a nova linha amarela do metro, linha azul, CPTM e SPTrans. Em breve essa mesma região receberá o novo Complexo Cultural – Teatro da Dança e revitalização do entorno. Mas enquanto houver pobre e trombadinha a obra não sai.
A especulação imobiliária no centro de São Paulo, Barueri e Santana de Parnaíba é justificada pela classe dominante, onde uma questão relevante é deixada de lado: a invasão das terras em Alphaville. Condomínios construídos em cima das terras da União, antigas terras indígenas. Empreendimento ilegal.
Descer a borracha na população pobre, historicamente excluída e jogada nas periferias, nasce com a abolição da escravatura. Aboliram, mas livres seguiram sem rumo, sem moradia, trabalho e dignidade. Isso porque de acordo com o IBGE, há 400 mil imóveis vazios no Centro de São Paulo.
Bombas e todo tipo de violência são homologadas pela justiça que determina o despejo de famílias inteiras. Favelas pegam fogo, máquinas da prefeitura passam por cima dos barracos construídos de maneira inapropriada. Enquanto isso na região de Alphaville: “temos um sistema de vigilância, monitoramento e segurança eletrônica, o condomínio está planejado para solucionar qualquer tipo de problema e evitar qualquer ocorrência interna que possa trazer alguma preocupação aos moradores”. A propaganda ainda dizia: “Uma área que possui valores únicos agregados à natureza e ao bem estar”.
Meu problema não é com a população desses burgos, pois já dizia a sagrada escritura (que eu respeito e tento seguir): “Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais”. Efésios 6:12
Alimentamos esse monstro (sistema) que separa os homens, que segrega e que justifica a fala de Hobbes quando dizia que o estado de natureza do homem é violento e que vivemos numa “guerra de todos contra todos”.
Assim continuamos como país em ascensão econômica, com uma cultura defasada, uma educação que sobrevive apenas com 4,7% do PIB. Mas temos coisas mais importantes, como a COPA. Estádios como a Arena Pantanal é uma grande ideia, o juiz apita e os jacarés batem uma “pelada” com as antas.
É isso Brasil, vamos louvar a pouca vergonha, a indecência moral capitalista usurpadora e a deusa do trânsito de todas as vias, avenidas e ruas alagadas.
Contemplar a falta de sanidade, onde o quiproquó é venerado e as pessoas viram coisas e as coisas tomam caráter humano, como se o consumo fosse o nosso pão de cada dia.
Aproveitem “Carro com IPI reduzido” assim poderemos preencher alguma rua ainda não desbravada pela ganância das cruzadas automobilísticas.
Sem mais nem menos, sem eira nem beira, sou mais um sobrevivente.
Kleber Silva
Sociólogo e morador em São Paulo/SP

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